Cerveja & Levas rrosa em 18 Dez 2007
Uma rapidinha de Natal
Bem, estou sem muito tempo pra escrever, mas tinha que falar dessa cerveja antes do Natal, que afinal foi a motivação para ela. Então vai ter que ser uma história rapidinha.
Esta é uma Nut Brown Ale, com o detalhe de ser feita com nozes e amêndoas! O estilo, segundo o BJCP, é simplesmente English Brown Ale. Várias cervejas desse estilo adquirem o “Nut” do próprio malte, e com uma presença muito, mas muito discreta. Mas por que não ir direto ao assunto e incluir de fato essas especiarias!?!
Não foi fácil achar receitas com essas especiarias. Na verdade só encontrei duas, uma no livro “Radical Brewing”, do Randy Mosher, páginas 93 e 149, e uma no livro “More Homebrewing Favorites”, de Karl F. Lutzen e Mark Stevens, pg 62. As quantidades estavam bastante discrepantes. A receita do Randy Mosher tem uma xícara de nozes ou nozes pecan levemente tostadas (algo em torno de 100g), enquanto que a do “More Homebrewing Favorites” tem 680g de pistache e 680g de nozes pecan, pesadas com casca.
Resolvi colocar (pesadas sem casca)
- 80g de nozes
- 80g de nozes pecan
- 80g de amêndoas
A composição de maltes foi
- 70% de pílsen
- 10% de melanoidina
- 8% de Briess Special Roast
- 5% de aveia em flocos tostada
- 4% de malte kiln coffee
- 2% de caraaroma
- 1% de malte chocolate inglês
Isso para uma leva de 20L. Na verdade, foram 26L no final da fervura, o que diluiu um pouco o efeito das especiarias. Coloquei 21L para fermentar.
As nozes e amêndoas foram quebradas e levemente tostadas para apurar o sabor, conforme sugestão no livro do Randy Mosher.

Em seguida foram trituradas e adicionadas à brassagem, na fase de sacarificação, junto com os maltes.

A aveia foi tostada em forno médio por aproximadamente 1h.

A OG ficou em 1.055 e a lupulagem foi basicamente de amargor, para dar uns 28 IBUs. O fermento usado foi o WLP005 British Ale da White Labs. Não atenuou tanto quanto o esperado, apenas 63%. Não costumo ter uma atenuação muito boa com esse fermento, mas apesar disso os resultados são bons (foi o mesmo fermento usado para A Inveja de Baco, mas de outro tubo).
Um dos receios que até o Mauro e o Botto mencionaram é o óleo dessas especiarias atrapalhar a formação da espuma. Eu também tinha esse receio, mas como Randy Mosher, Karl Lutzen e Mark Stevens mostram receitas com essas especiarias e sem menção alguma a esse problema, achei que isso não atrapalharia. Talvez o fato das especiarias serem adicionadas junto com o malte faça diferença. Não sei. O fato é que a cerveja ficou muito boa e sem problemas de formação e retenção de espuma.
As nozes e amêndoas aparecem discretamente no sabor, mas marcam presença. O sabor mais marcante é de café e tem também um leve tostado. Está uma delícia. Mas ficou bem turva. Tudo bem, o que mais importa é o sabor!
É isso. Aproveito então para deixar um Feliz Natal e Boas Festas a todos!! E eu vou brindar com essa minha Nut Brown Ale!!!
Mas não vou brindar sozinho. Compartilho com os amigos na Ceia da ACervA Carioca de final de ano!


em 19 de Dezembro de 2007 @ 16:22 1.Mauro disse:
Só para dar inveja aos que lerem esse post, não resisti à tentação de contar que degustei vários copos dessa maravilha, no encontro em que fizemos a Cerva da ACervA, em Teresópolis. Parabéns, Ricardo !
em 11 de Março de 2008 @ 15:43 2.Rafael Bolzan disse:
Olá Ricardo, tudo bem?
Como sempre suas receitas dão um show.
Já fiz algumas Belgian Tripel Ale, mas o “problema” que sempre encontro quando faço uma cerveja com densidade muito alta é que faz muita espuma (colarinho). Você conhece alguma técnica ou combinação diferente para o primming para fazer menos espuma na cerveja pronta?
Grato, Rafael
em 22 de Março de 2008 @ 09:55 3.Eduardo disse:
Ricardo,
essas férias estão muito longas.
Tem que retomar a escritva, pô!
Abs,
Eduardo
em 22 de Março de 2008 @ 11:28 4.Rafael Aquino disse:
Grande Mestre Ricardo.. estamos sentindo falta de seus posts?!! onde esta voce???? hehehehe
abraco
em 5 de Maio de 2008 @ 23:02 5.Blog da Cervejarte (Ricardo Rosa) » Intrepidus Nocturnum disse:
[…] De minha parte, depois de fazer uma porter com malte defumado em turfa e uma brown ale com nozes, amêndoas e nozes pecan, estava muito motivado para fazer mais cervejas diferentes. Ando bastante empolgado com a moderna escola cervejeira americana, ousada, extrema, inspiradora, e que certamente me incentiva a tentar essas cervejas, como toda boa escola deve fazer. Mas infelizmente o estilo livre acabou ficando de fora do concurso desse ano da ACervA, contrariando, ou pelo menos limitando, o espírito criativo do hobby. Faço votos que isso seja revisto nas próximas edições do concurso. E no lugar do estilo livre, teremos esse ano English IPA, outro estilo bem específico. […]