Estripulias do Felipe

Já tem bastante tempo que não escrevo, mas por um bom motivo, que aliás está diretamente ligado ao artigo de hoje e que está deixando o meu tempo “livre” cada vez mais curto: escrevo sobre uma Belgian IPA, na verdade várias, feita por mim e pela Eduarda Dardeau, ao longo de 2012, em homenagem ao nascimento do nosso filho, Felipe, em setembro daquele ano.

Esse é um estilo bastante recente e ainda em desenvolvimento. Ainda não consta oficialmente no guia de estilos do BJCP e apareceu apenas recentemente no guia de estilos da Brewers Association na forma de Pale American-Belgo-Style Ale e Dark American-Belgo-Style Ale. E aparece em listas do Ratebeer e do Beer Advocate.

Grosseiramente falando, podemos dizer que uma Belgian IPA é uma união entre as características condimentadas e frutadas das leveduras belgas e as características de lupulagem de amargor e aroma das India Pale Ales, americanas ou inglesas. A classificação da Brewers Association tende mais para as versões de IPAs americanas, como o nome sugere. Já as listas do Ratebeer e do Beer Advocate são mais amplas.

A Urthel Hop-It, cerveja belga de 2005, “inspirada pela tradição americana, com variedades especiais de lúpulos aromáticos europeus”, é considerada uma das primeiras do estilo, combinando as características das leveduras belgas com uma lupulagem mais marcante.

A HOUBLON CHOUFFE Dobbelen IPA Tripel (Double IPA Tripel), produzida pela primeira vez em 2006, pela cervejaria La Chouffe, “com três tipos de lúpulos e um agradável frutado”, é outro exemplo mais antigo do estilo, também com variedades européias de lúpulos.

Outra Belgian IPA de origem belga que merece destaque e que chega aqui pelas nossas bandas é a Gouden Carolus Hopsinjoor, lançada em 2008, com cinco tipos de lúpulos utilizados durante a fervura mas aparentemente sem dry-hopping.

Todas as três parecem combinar uma tripel belga com uma India Pale Ale mais inglesa do que americana. Mais recentemente, versões com lúpulos mais cítricos foram lançadas, com destaque para a Duvel Tripel Hop, com três tipos de lúpulos, sendo que um dos lúpulos varia a cada ano. A primeira produção foi em 2007, depois em 2010 e segue anual desde então. No primeiro ano que eu e Duda tomamos essa cerveja, em 2011, no Delirium Café, os lúpulos foram Saaz, Styrian Goldings e Amarillo, sendo que o dry-hopping não foi de Amarillo, mas de Styrian Goldings, e achamos espetacular. Ficamos encantados e foi a nossa inspiração para fazermos a nossa versão de Belgian IPA. Em 2012 o Amarillo foi substituído por Citra, mas eu não lembro de ter tomado. Em 2013, foi com o Sorachi Ace, que eu não curti muito. Em 2014, temos o Mosaic e aguardo ansioso para experimentar!

Naturalmente, encontramos, mais recentemente, várias versões americanas de Belgian IPAs, como a Raging Bitch Belgian-Style IPA da Flying Dog, que já esteve por aqui, e a Le Freak, da Green Flash. As belgas mencionadas até agora tem como base cervejas do tipo Tripel, mas há outras cervejas classificadas como Belgian IPAs e que tem como base cervejas de outros estilos, como belgian wit, por exemplo, como a Chainbreaker White IPA, da Deschutes Brewery, entre outras.

Em termos de classificação, vislumbro até que o BJCP venha a incluir uma categoria Belgian IPA subdividida em estilos como White IPA, Double IPA, Tripel IPA, Farmhouse IPA, etc. Mas talvez ainda esteja cedo para isso. Como muitas pessoas teimam em não enxargar, não é o BJCP que dita as regras para as nossas cervejas, somos nós que indicamos ao BJCP as nossas tendências e sempre há espaço para desviarmos da tendência da maioria das pessoas. Só se sente preso quem quer.

E antes mesmo de haver regras e inspirado na Duvel Tripel Hop, resolvi fazer a minha interpretação de uma Belgian IPA, mais especificamente de uma Tripel IPA, naturalmente. Mas não queria tentar clonar a Duvel Tripel Hop, ela só serviu de inspiração. Queria uma cerveja menos alcoólica e com outros perfis de leveduras e de lúpulos.

Não acho que seja simples casar o frutado/condimentado das leveduras belgas com o amargor e o aroma de qualquer lúpulo. O WLP500 Trappist Ale da White Labs (“Chimay”), por exemplo, tem um tipo de frutado bastante acentuado e mais complicado de combinar com lúpulo. O WLP570 Belgian Golden Ale (a própria “Duvel”) às vezes eu acho um pouco fenólico demais e também pode ser complicado de combinar com lúpulo. Acho mais apropriado trabalhar com o WLP530 Abbey Ale (“Westmalle”) ou com o WLP550 Belgian Ale (“Achouffe”).

Em relação aos lúpulos, prefiro não exagerar no amargor, mas não vejo problema em caprichar no aroma, desde que combine com o frutado da levedura. Nesse sentido, acho que um frutado mais fino tipo um Amarillo e um Centennial ou um floral tipo o Styrian Goldings combinam bastante, enquanto que aromas mais picantes e brutos podem não combinar tanto. Mas tudo é questão de experimentar, posso estar enganado.

Mas assim como o Felipe, a cerveja foi feita em conjunto com a Duda. Felizmente a “gestação” foi mais curta! Optamos por uma base de fermentáveis bem simples, com apenas malte pílsen, um pouco de munich e açúcar, para um extrato inicial de 16,5P (1.068 g.e.). Vendo o que tinha disponível em casa, achamos legal usar o WLP530 Abbey Ale em combinação com os lúpulos Challenger, East Kent Goldings, Amarillo e Centennial, para sabor e aroma. A atenuação ficou em 88% e a cerveja, após o primming, ficou com um pouco mais de 8% de teor alcoólico em volume. O IBU calculado ficou na faixa de 50-60, mas certamente boa parte foi embora na fermentação, sem contar a incerteza do cálculo, de maneira que o IBU real deve ter ficado mais perto dos 35-40. Na verdade foram várias levas, mas todas mais ou menos parecidas, exceto que em duas usamos levedura de Saison e a cerveja atenuou ainda mais e ficou também bem gostosa. A última, no entanto, foi a única engarrafada, e levou dry-hopping apenas de Centennial, a uma razão de 1,5g/L, logo ao final da fermentação, depois de trocarmos a cerveja de galão para retirar a “lama”, mas ainda mantendo a temperatura “quente” de fermentação por um dia, para em seguida reduzir para 12C e, no dia seguinte para 8C, para então trocarmos novamente de galão para retirar o depósito de lúpulos e deixar a cerveja maturando por mais uma ou duas semanas.

E como não poderia deixar de ser, fizemos um rótulo comemorativo. Todos os que foram nos visitar na maternidade ganharam uma garrafinha de “Estripulias do Felipe”! Observe que, por coincidência do nome, extraímos as letras que formam as palavras “Tripel” “IPA” do próprio nome “Estripulias do Felipe”. De certa forma, acho que a sonoridade da palavra “Tripel” me levou à palavra “Estripulias” e acabou gerando essa coincidência. Observem o destaque no rótulo, em amarelo e verde!

Rótulo da Estripulias do Felipe

Rótulo da Estripulias do Felipe

Peri e Araci: Saison com refresco azedo de casca de abacaxi

A cerveja que descrevo hoje resgata, de certa forma, heranças de minha avó e de meu avô paternos, Peri e Araci, e foi feita em homenagem a eles.

Quando eu era criança, adorava um suco azedo da casca do abacaxi que a minha avó fazia. Na verdade era um refresco, pois era feito com a casca do abacaxi e uma certa quantidade de água. Tinha um gostinho um tanto engraçado para um refresco, com evidente gosto de abacaxi, mas um pouco ácido e com um pouquinho de gás. Talvez tivesse um pouco de álcool por causa da fermentação também, mas isso nunca tinha passado pela minha cabeça e não sei se passava pela dos meus pais e avós… Mas a quantidade de álcool devia ser muito pequena.

Esse refresco azedo de abacaxi, acrescentado de açúcar mascavo e de especiarias como cravo e gengibre, é conhecido em diversas regiões do país como aluá de abacaxi, como vim a descobrir recentemente.

Por sua vez, soube que meu avô costumava fazer cerveja em casa, entre outras bebidas alcoólicas, muitos anos atrás. Infelizmente comecei a produzir cerveja após meu avô ter falecido e não cheguei a ouvir, ou guardar, essas aventuras diretamente dele.

Meus avós paternos são do Rio Grande do Sul, e trazem essas heranças de lá. Meu avô é de Alegrete, RS, e conheceu a minha avó em Arroio dos Ratos, RS, quando ele foi trabalhar como contador, devido a suas habilidades com números, nas minas de carvão de lá. Em seguida, foram para Porto Alegre, no bairro Partenon, com o meu pai (e meus dois tios) ainda criança, onde meu avô chegou a fabricar cerveja, vinho, marmelada, entre outras coisas, para ganhar um trocado extra, colecionando histórias de garrafas de cerveja estourando no porão. Na época da segunda-guerra mundial, vieram todos para o Rio de Janeiro. Meus avós ainda tiveram uma passagem por Betim, MG, em 1958 e 1959, enquanto meu pai ficou no Rio, cursando a faculdade de Geografia, na UFRJ (Universidade do Brasil, na época), onde conheceu a minha mãe. Um pouco depois, começou a minha história, já com os meus avós de volta ao Rio.

Logo após eu me sentir com mais domínio do processo de fabricação de cervejas e mais seguro para inventar receitas que pensei em usar esse refresco azedo de casca de abacaxi em alguma cerveja. Mas demorei a resolver qual estilo de cerveja usar como base. Isso começou a clarear quando passei a entender melhor o estilo Saison. Achei, então, que caberia perfeitamente nesse estilo.

A minha ideia era fazer uma cerveja refrescante, complexa mas delicada, com os aromas típicos da fermentação de uma Saison, um gosto perceptível do abacaxi e uma acidez discreta do refresco.

Acho que consegui chegar bem perto disso, exceto pelo fato dela ter ficado um pouco mais alcoólica do que acho que seria o ideal.

Fiz uma leva com apenas malte pílsen e 7% de açúcar em peso, para uma gravidade original de 1.052. A lupulagem foi de Summit e Styrian Goldings, em partes mais ou menos iguais, desde o início da fervura até o final, e ainda no dry-hopping, com amargor chegando a 45 ibus. Dividi a leva em duas partes de uns 18L cada, uma fermentando com WLP530 Abbey Ale Yeast e outra com WLP565 Belgian Saison I Yeast. A inoculação foi a 17C e ambas as fermentações foram para 20C nas primeiras 24h, depois deixei subindo 1C por dia, com a Abbey chegando a 24C e a Saison a 27C. As fermentações duraram em torno de 12 dias, com a Abbey chegando a 1.006 (88%) e a Saison a 1.002 (92%)!, com as densidades conferidas no densímetro e no refratômetro. Excelente! A versão com Abbey foi, naturalmente, mais frutada, enquanto que a de Saison foi mais condimentada, típico desse fermento.

Em seguida, fiz dry-hopping de partes iguais de Summit e Styrian Goldings, de aproximadamente 1g/L no total, ainda em temperatura de fermentação. Depois de uma semana, troquei as cervejas de galão e baixei a temperatura. As densidades continuavam as mesmas; as fermentações, aparentemente, tinham sido completas.

Partes das cervejas com Abbey e Saison foram para cornelius separadas. O resto foi misturado e uma parte foi para um barril de bálsamo e outra para receber o refresco azedo de casca de abacaxi.

Para o barril de bálsamo, foram 10 litros no total, sendo 60% de Abbey e 40% de Saison, e a cerveja está lá, curtindo, desde abril. (Já tinha guardado uma Saison em bálsamo ano passado, conforme descrito no artigo Saison de ma Maison, mas essa versão é mais recente).

Para a Saison com o refresco, foram 3,5L de Abbey (54%), 2L de Saison (31%) e 1L de refresco (15%). Mas falta contar como foi feito o refresco e os detalhes dessa mistura.

Fiz alguns testes com o refresco, até acertar. A ideia geral é pegar as cascas do abacaxi, colocá-las em uma tigela, colocar um pouco de açúcar, cobrir as cascas com água e deixar a mistura fermentando por um ou dois dias. A fermentação se dará de forma espontânea, por conta da flora que habita a casca do abacaxi. Mas é preciso tomar alguns cuidados.

Para evitar que o refresco fique acético, é importante diminuir ao máximo o contato com o ar, evitando aquelas pequenas moscas de frutas e reduzindo a presença de oxigênio, que favorece a proliferação de bactérias que produzem ácido acético. Isso pode ser feito cobrindo-se a casca banhada em água com um filme plástico, deixando o filme tocar as cascas e a água, esvaziando ao máximo as bolsas de ar. O papel alumínio é uma alternativa, mas ele não permite uma visualização direta do estado da fermentação e pode não vedar tão bem, deixando, às vezes, que a mistura estrague.

O tempo depende da temperatura ambiente. No verão do Rio de Janeiro, basta um dia. No frio, uns dois dias. Com o filme plástico, é possível ver a evolução e deduzir que a fermentação está de vento em popa pela espuminha gerada (e pelo filme plástico estufando), como na sequência de imagens abaixo.

Fermentação espontânea da casca do abacaxi: início.

Fermentação espontânea da casca do abacaxi: 13h depois.

Fermentação espontânea da casca do abacaxi: 20h depois.

Mas não é pra esperar uma possível fermentação completa, o importante é terminar antes que outros bichinhos indesejáveis passem a gostar da mistura e estraguem o refresco. No caso acima, parei com 20h.

Fiz testes com fermentação espontânea, em temperatura ambiente, aproveitando a flora da casca do abacaxi, e também com fermentação controlada, fervendo antes a casca de abacaxi, inoculando com lactobacillus e controlando a temperatura em uma geladeira. Ambos ficaram bons e muito parecidos, mas a espontânea em temperatura ambiente pareceu um pouquinho mais interessante e gostosa. Antes de usar o filme plástico, os testes não estavam dando certo e o refresco estava virando vinagre.

Na hora de adicionar o refresco à cerveja, aproveitei os testes que deram certo, obtendo 1L de refresco, sendo uns 70% da fermentação espontânea e uns 30% da fermentação controlada. Antes de colocar o refresco na cerveja, adicionei uns 400g de açúcar e fervi por uns 20min pra matar os lactobacillus. Em seguida, como disse acima, misturei 3,5L de cerveja fermentada com Abbey, 2L de cerveja fermentado com Saison e 1L do refresco de abacaxi com açúcar, adicionei mais um pouco de fermento Saison e deixei (re)fermentando por duas semanas, a 22C. Fiz alguns testes em um copo, antes, pra ver o efeito da proporção de refresco na acidez e na presença do abacaxi, até decidir por essas quantidades.

Depois da refermentação, diminuí a temperatura para 1C, mantive assim por umas duas semanas e envasei com priming de 7,5g/L de açúcar. Contando com o priming, essa mistura ficou com um teor alcoólico próximo de 7% em volume.

O resultado foi excepcional. Uma cerveja equilibrada, delicada, extremamente complexa e refrescante.

E merecia um rótulo bacana, que fiz usando, novamente, o Inkscape, um programa gratuito e que roda em diversas plataformas:

Rótulo da “Peri & Araci”

Dado o resultado, me motivei a enviar essa cerveja para competir no VII Concurso Nacional das ACervAs, esse ano organizado pela ACervA Paulista. Dessa vez, a organização criou uma categoria “Estilo livre com ingrediente brasileiro”, incentivando a criatividade dos cervejeiros brasileiros, e essa Saison com refresco azedo de casca de abacaxi cabia perfeitamente nisso.

Tinha consciência de que a cerveja estava muito boa, mas não sabia como uma cerveja azeda seria recebida pelos jurados brasileiros (e argentinos), dada a pouca disseminação de cervejas desse tipo por essas bandas. Também pesava o fato de que as competições têm ficado cada vez mais acirradas, com mais e melhores cervejeiros aparecendo toda hora. Mas eu não competia desde 2009 e me deu vontade de participar desse processo novamente. E o que mais me motivou, de fato, foi a possibilidade de disseminar mais o estilo Saison e incentivar outros cervejeiros a fazerem mais Saisons e cervejas azedas (as duas coisas são independentes, é claro; Saisons não são necessariamente azedas, e há cervejas azedas de diversos estilos).

Então foi com muita felicidade que recebi o anúncio de que a minha Saison azeda ficou em segundo lugar na sua categoria! Melhor ainda foi ouvir os elogios de diversos jurados.

Segundo lugar com a Peri & Araci

A única parte ruim é que foram muito poucas garrafas e a sede é grande! Acho que restaram umas duas ou três garrafas só. Mais uma cerveja que vou ter que fabricar de novo!

Espero que tenham gostado da história dessa cerveja.

Saison de ma Maison

Dando continuidade ao artigo Descobrindo o estilo Saison, vou descrever melhor a minha primeira experiência nesse estilo.

Saboreando a 'Saison de ma Maison' maturada em barril de bálsamo

No início do ano passado, depois de ter aprendido mais sobre Saisons, resolvi fazer uma cerveja do estilo, para servir de base para algumas experiências. Uma ideia era reservar 10 litros para deixar maturando em um barril de bálsamo que tinha comprado no ano anterior. Também queria pegar parte da leva e colocar temperos variados.

Almejei uma cerveja leve e seca, escolhendo uma base de malte pílsen, complementada com um tanto de malte munich, um pouco de trigo e aveia em flocos, um pouco de malte acidificado, um pouco de açúcar e um pouco de malte caramelo.

Foi a minha primeira experiência com malte acidificado. Em pequenas quantidades, ele ajuda a reduzir o pH da água, o que é bom para cervejas bem claras. Cada 1% de malte acidificado na brassagem reduz o pH em aproximadamente 0.1. Gostaria também de ter uma ligeira acidez na cerveja, mas acho que para isso a quantidade deveria ser um pouco maior (algo entre 5 e 10%, ou mais). O malte acidificado contem ácido lático gerado naturalmente por bactérias lácteas presentes no grão de malte (informações do FAQ da própria Weyermann, que sugere, em particular 8% de malte acidificado para produzir a acidez típica de uma Berliner Weisse).

A lupulagem foi de Centennial, a 60 minutos, e Cascade, a 45 e 15 minutos, para um amargor da ordem de 33 IBUs.

Não tinha um fermento específico para Saisons e resolvi experimentar com um outro fermento belga que tinha em casa, o WLP530 Abbey Ale, da White Labs. O plano era fermentar a uma temperatura mais alta do que a recomendada para outras cervejas belgas, na esperança de ter uma característica maior de Saison e garantir uma atenuação alta.

Iniciei a fermentação com o mosto em torno de 16-17C. É importante evitar temperaturas altas no início da fermentação, para não gerar precursores de aromas indesejados. Fui ajustando o termostato para aumentar a temperatura entre 1 e 2 graus a cada dia, chegando a 25C.

A gravidade específica ficou em 1.056 e atenuação ficou em 81%, levando o teor alcoólico a aproximadamente 6%. A cerveja ficou ótima, com o sabor um tanto condimentado, terroso, ligeiramente frutado e com uma acidez muito sutil. Um pouco de aroma e sabor de lúpulo herbáceo também. Nesse momento, a cerveja estava equilibrada, mas para o estilo poderia ter ficado mais seca.

Para as experiências, fiz diversas infusões em cachaça, usando cardamomo, feno-grego, pimenta-do-reino e outras especiarias. Cada infusão foi feita em um tubinho de plástico do tipo do dos fermentos da White Labs (não medi as quantidades, mas, de olho, acho que a de pimenta-do-reino, por exemplo, devia ter algo em torno de 15ml de cachaça e uns 3-5 gramas de pimenta moída). Foram adicionadas na cerveja na hora do envase, pingando-se algumas gotas em cada garrafa, variando as doses e os tipos de infusão. A com feno-grego ficou um pouco enjoativa, mas em menor quantidade talvez a infusão caia bem, principalmente em uma cerveja mais maltada. A infusão de cardamomo ficou bem forte e as garrafas que levaram poucas gotas ficaram ótimas. A pimenta-do-reino caiu bem, também, mas precisou de várias gotas (dezenas) para dar algum efeito considerável.

Infusão de pimenta-do-reino em cachaça

A outra experiência foi com o barril de 10L de bálsamo, madeira muito utilizada em cachaça, especialmente na região de Salinas, no norte de Minas Gerais. O barril foi comprado novo (pela internet, da Feira da Cachaça) e deixado curtindo com água, que foi trocada algumas vezes, para reduzir o efeito inicial forte de madeira virgem. Limpei o barril apenas com água quente (o interior do barril é coberto de parafina e a água quente ajuda a tirar essa parafina, permitindo que a cerveja fique mais em contato com a madeira). Coloquei a cerveja no barril e deixei maturando por cinco meses.

Transferindo a Saison para o barril de bálsamo

A cerveja ficou complexa e delicada (sem aromas fortes, tudo um pouco discreto e harmonioso). Pegou um leve sabor da madeira, que combinou perfeitamente com os aromas da Saison. O aroma também trouxe sinais da ação de algum fungo do tipo Brettanomyces, que enriqueceu muito a cerveja. A cerveja atenuou um pouco mais enquanto esteve no barril, ficando mais seca, o que a fez melhorar ainda mais. A atenuação chegou a 87% e, com o priming, o teor alcoólico ficou em torno de uns 6,7%.

Definitivamente ficou uma perfeita Saison!

Essa cerveja foi batizada de “Saison de ma Maison” (Saison da minha casa). O nome surgiu em um encontro da Female Carioca, em que estávamos provando algumas outras Saisons, comerciais. Em certo momento, a Flavia perguntou, sem saber, de onde era a minha Saison e respondi “ah, essa é de ‘ma maison’ même”. Aí ficou batizada assim!

Fiz também um rótulo, onde a ideia era desenhar a fachada da casa dos meus pais, mas não tive tempo de fazer isso e acabei pegando “emprestado” na internet o desenho de uma casa qualquer. Capricho mais na próxima vez. No rótulo, esqueci de alterar o teor alcoólico para 6,7% (estava criando em cima de um rótulo antigo).

Rótulo da Saison de ma Maison

Espero poder repetir a experiência em breve!

Descobrindo o estilo Saison

O estilo Saison sempre foi um pouco obscuro para mim. Já tinha tomado várias cervejas desse estilo antes, principalmente em uma viagem com a Duda na França e na Bélgica, mas só recentemente fui compreender melhor o estilo.

Eu e Duda, com a lambic Mort Subite e a Saison Dupont

Eu e Duda, com a lambic Mort Subite e a Saison Dupont

Pensando em alguma cerveja para servir de base para colocar algumas especiarias, comecei a pesquisar e a entender melhor esse estilo, e ver que ele se encaixa muito bem no que tinha em mente e no tipo de cerveja que gosto; e só então me toquei das diversas Saisons que tinha tomado. Acabei descobrindo um novo estilo pro grupo das minhas favoritas. E é um estilo bastante versátil, perfeito para experiências. Já tomei Saisons com os mais diversos ingredientes, como castanha-portuguesa e alecrim, assim como saisons “puras”, muitas delas deliciosas.

Saison Dupont

Saison Dupont

Saison des Amours

Saison des Amours

No Brasil, a St. Feuillien Saison é um exemplo simples e delicioso do estilo. A St. Landelin Mythique também se encaixa nas características de uma Saison e tem uma lupulagem deliciosa. A Mythique é descrita pela cervejaria como uma cerveja dourada de alta fermentação e com dry-hopping (“bière blonde de fermentation haute avec houblonnage à cru”), apesar de em vários lugares ser classificada como Bière de Garde (parente próximo da Saison mas mais maltada, o que não é o caso da Mythique) ou Belgian Strong Golden Ale. Ouvi elogios também à Brooklyn Sorachi Ace, uma saison feita com dry-hopping do lúpulo Sorachi Ace, mas essa eu não cheguei a provar.

A meu ver, podemos dizer que Saisons são cervejas um tanto claras, secas, refrescantes, com as características aromáticas próximas das típicas dos fermentos belgas (um pouco menos frutadas e um pouco mais condimentadas e terrosas), mais lupuladas que as belgas mais conhecidas, frequentemente incrementadas com condimentos diversos, possivelmente um pouco ácidas e/ou com características de Brettanomyces.

A Brewers Association caracteriza esse estilo (“French and Belgian style Saison”, guia 2012) como sendo bastante variado. A cor vai de dourada a âmbar e o corpo, em geral, fica entre leve e médio. O malte costuma ficar com aroma entre baixo e médio-baixo, enquanto que no sabor fica, em geral, baixo, mas dando um suporte ao equilíbrio da cerveja. O aroma e o sabor de lúpulo podem ficar entre os níveis leve e médio, com dry-hopping sendo usado com alguma frequência, enquanto que o amargor do lúpulo pode ser moderado ou moderadamente assertivo. O frutado da fermentação é bem característico. Condimentos, em geral, incluindo pimenta-do-reino, podem ou não ser evidentes, assim como um leve característica de Brettanomyces. Uma pequena acidez é aceitável quando em equilíbrio com outros componentes. Extrato primitivo com gravidade específica na faixa 1.055-1.080 (14-19.5 graus Plato); extrato final aparente na faixa 1.004-1.016 g.e. (1-4 graus Plato); teor alcoólico na faixa 4.5-8.5% em volume; amargor em 20-40 IBUs; e cor na faixa 4-14 SRM (8-28 EBC).

O guia de estilos de 2008 do BJCP classifica o estilo Saison em maiores detalhes, mas com linhas gerais semelhantes e parâmetros um pouco diferentes: extrato primitivo com gravidade específica na faixa 1.048-1.065; extrato final aparente na faixa 1.002-1.011 g.e.; teor alcoólico na faixa 5-7% em volume; amargor em 20-35 IBUs; e cor na faixa 5-14 SRM.

O estilo parece ter sua origem na região da Valônia (La Wallonie), que é a região sul da Bélgica, predominantemente de língua francesa. Foi inicialmente caracterizado por cervejas leves (3-4% de álcool por volume) e refrescantes, feitas para os trabalhadores do campo. Saison é uma palavra francesa que significa estação (do ano), com as cervejas sendo fabricadas para serem guardadas para uma determinada época do ano. No caso das Saison, as cervejas eram, em geral, fabricadas no inverno (evitando as altas temperaturas que levavam à propagação de contaminações), para serem consumidas na época da colheita, no verão e no início de outono. Uma boa referência para esse estilo, assim como para Bières de Garde, é o livro “Farmhouse Ales”, de Phil Markowski.

Lúpulos eram adicionados “a frio”, no início ou ao final dessa época de maturação, para dar uma característica mais fresca à cerveja. Tipicamente essa adição era da ordem de 1 grama por litro, mas podendo chegar a 4 gramas por litro. Diversos outros temperos também eram usados para ajudar a preservar e “rejuvenescer” a cerveja (anís, gengibre, coentro, cominho, pimenta, casca de laranja, etc.).

Apesar da lupulagem, dos temperos e da fabricação no inverno, com o tempo de guarda e a assepsia provavelmente não tão adequada, era comum existir alguma acidez e outras características da atuação de bactérias e fungos selvagens, de tal forma que essas características são, hoje em dia, aceitáveis no estilo e muitas vezes incluídas de propósito.

Atualmente, as cervejas desse estilo são mais complexas, não tão leves, mas ainda bem secas e refrescantes, e são feita em várias lugares da Bélgica e do sul da França, assim como nos EUA. O artigo Trends in Beer 2011 dá uma ideia da crescente popularidade desse estilo, que Michael Jackson considerou praticamente extinto uns trinta anos atrás.

Na fabricação de Saisons, o fermento é de grande importância. A White Labs e a Wyeast, por exemplo, têm alguns tipos de fermentos específicos para Saison, além de outros fermentos belgas clássicos que também podem ser utilizados com razoável sucesso. A temperatura de fermentação das saisons pode ser um pouco mais alta do que o normal para outras ales, indo de vinte até quase trinta graus Celsius! A tabela no arquivo Belgian Chart dá uma ideia do que esperar dos fermentos da White Labs, por exemplo, nas diversas temperaturas. Os fermentos próprios pra Saison dão características, em geral, um pouco menos frutadas e mais condimentadas, apimentadas e terrosas que as belgas mais conhecidas. Mas é importante que o início da fermentação seja feito a baixas temperaturas (em torno ou abaixo de 20C) e que esse temperatura suba gradualmente, para evitar aromas fortes e indesejados típicos de fermentações sem um bom controle de temperatura. A atenuação aparente costuma ficar acima dos noventa por cento!

Em alguns casos, a fermentação primária pode ser seguida de fermentações secundárias com Brettanomyces, Lactobacillus e/ou Pediococcus, para dar uma incrementada e ligeira acidificada na cerveja. Na fermentação secundária, com fermentáveis mais complexos e em pequena quantidade, esses fungos e bactérias agem de maneira bastante lenta, levando meses ou anos para se desenvolverem por completo, de modo que uma característica leve pode ser obtida com algumas poucas semanas ou meses de guarda (isso é diferente da contaminação por Acetobacter, que é mais rápida e devastadora, produzindo um “belo” vinagre). Esses fungos e bactérias podem ser adicionados via culturas puras, ou a partir do depósito de outras cervejas (e.g. depósito da Orval!), ou através da maturação em barris de madeira, aproveitando a flora natural que possa existir nos mesmos. Outra técnica é mesclar com uma certa quantidade de alguma lambic já pronta ou com um mosto de uma brassagem azeda.

A composição de fermentáveis, por sua vez, pode ser bem simples, sendo basicamente malte pílsen, podendo incluir um pouco de malte aromático tipo viena ou munich (e.g. até uns 10% do total), para dar um pouco de complexidade e cor. Maltes caramelos não costumam ser usados, principalmente nas versões mais claras e leves, para que a cerveja fique mais seca. Adjuntos como trigo e aveia são às vezes usados. Açúcar pode ser usado para deixar a cerveja mais seca e aumentar a potência sem aumentar o corpo (diria até uns 5% do extrato primitivo nas cervejas mais fracas a até uns 10% nas mais potentes). Um tanto de malte acidificado (entre 5 e 15%) pode ser usado para dar uma leve acidez na cerveja.

A lupulagem de aroma, sabor e amargor é mais marcante que em outras cervejas belgas, sendo comum o uso de dry-hopping. Lúpulos como Styrian Goldings e East Kent Goldings, além dos nobres como o Saaz, são clássicos para o estilo, apesar de que recentemente lúpulos dos mais variados, incluindo os típicos cítricos americanos, estão sendo usados. Conforme mencionado acima, o dry-hopping pode ser feito com algo em torno de 1 grama de lúpulo por litro de cerveja, ou mais.

A água típica para a fabricação de Saisons é mais dura e com mais sulfato do que cloreto, enfatizando a característica do lúpulo e deixando a cerveja mais seca.

Temperos, ervas e outros ingredientes dos mais variados tipos podem ser usados, de coentro e casca de laranja, a pimentas e amêndoas. Mas o uso desses ingredientes não é necessário, sendo as versões sem esses ingredientes já bastante complexas e sutis, graças à fermentação e à lupulagem.

A brassagem é geralmente feita visando uma boa fermentabilidade do mosto, com a sacarificação ocorrendo em dois tempos, a 62C (e.g. por trinta minutos) e a 68C (e.g. por quinze minutos), ou em uma única parada, em torno de 65-66C.

A minha primeira experiência fabricando Saisons foi há pouco mais de uma ano. Não tinha um fermento específico para Saison, então usei o WLP 530 Abbey Ale, deixando a temperatura de fermentação subir gradualmente até chegar a 25C. Dividi a leva em várias partes, colocando alguns temperos em algumas partes e deixando dez litros em um barril de bálsamo por cinco meses. O resultado foi delicioso. Mas isso é história para outro artigo. No momento, tenho outra Saison sendo feita com fermento específico de Saison e com a temperatura atual em torno de 27C (fermento inoculado a 17-18C e temperatura subindo 1 ou 2 graus por dia). Veremos no que vai dar!

PS: Se usar muito malte acidificado, da ordem de 10% ou mais do total de fermentáveis na mostura, tomar cuidado com o pH, talvez deixando a adição do malte acidificado mais para o final da sacarificação, e aumentando o tempo da mostura, por exemplo.

Fornicale Bitter, sem lavagem

No meu último artigo, Brassagem sem lavagem: eficiência versus qualidade?, mencionei o método de não-lavagem que li na revista Brew Your Own. Logo depois de escrever o artigo, coloquei o método em prática, (re)fazendo uma bitter que adoro.

Já falei dessa bitter antes, no artigo Fornicale Bitter. Em todas as outras vezes que fiz a Fornicale, fiz a lavagem do mosto.

Confesso que não acreditava muito que fosse sentir diferença na cerveja. Fiz mais pela diversão e pela experiência, e também, em grande parte, porque sem a lavagem o processo fica mais fácil e um pouco mais rápido. Mas para a minha surpresa, senti uma certa diferença no sabor! É verdade que essa é uma amostragem muito pequena pra dar isso como definitivo, mas pelo menos esse primeiro teste foi positivo!

Perdi um pouco de eficiência, como esperado, mas o problema maior foi a limitação na mostura por causa do tamanho da panela. Ao invés de 48 litros, só consegui fazer 36. Essa foi a perda maior. Mas ganhei em praticidade e em sabor. O ideal seria ter uma panela de brassagem um pouco maior; nesse caso a perda seria, apenas, de, talvez, 1kg a mais de malte, o que não é nada, pelo menos pra gente, que faz cerveja apenas por diversão e não está tão preocupado com o custo.

A minha panela de fervura é de 75 litros, de aço inox, que dá tranquilamente pra começar a fervura com uns 60-65 litros, sem risco do mosto transbordar, obtendo, ao final, uns 50 litros de mosto pra fermentar. Mas a minha panela de mostura é de apenas 56 litros. O pior é que eu tinha acabado de comprar essa panela, também de aço inox, e que seria perfeita caso usasse lavagem. Mas sem a lavagem, ela ficou pequena. Se tivesse lido o artigo um mês antes, teria comprado uma maior… E infelizmente a de 75 litros é a da Blichmann, que é ótima para fervura, mas não serve pra fazer a mostura com a bazooka, então não posso trocar o papel das duas panelas.

A minha eficiência costuma ficar em torno de 85%, com lavagem. Essa é a mesma eficiência citada pelo autor do artigo da Brew Your Own. E ele fala que a eficiência dele foi para 70% sem a lavagem. Levei fé que aconteceria o mesmo com a minha. E foi na mosca!

Usei 8Kg de malte e fiz a mostura com 48L de água, dando uma diluição de 6L/Kg e um volume total em torno de uns 54-55L, quase transbordando, como mostra a foto abaixo.

Mostura com 6L/Kg

Coloquei 4g de gipsita e 2g de cloreto de cálcio para cada 20L de água. Esquentei a água até uns 72C e adicionei o malte moído, com a mistura equilibrando em 68C. Mantive a temperatura entre 66 e 68C, por uns 80min. Não fiz mash-out, nem lavagem. Deixei o mosto escorrer para a panela de fervura, obtendo uns 40L pra começar a fervura. Adicionei 5L de água, conforme havia planejado para compensar um pouco a limitação na panela de mostura, e fervi por 75min. No final da fervura, obtive uns 38L, transferindo 36L para a fermentação.

Uma outra coisa que notei é que a recirculação foi mais demorada. Por conta da grande quantidade de água em relação ao malte, foi necessário recircular mais mosto. Normalmente fico uns 10 minutos recirculando e o mosto já clareia bastante, mas dessa vez fiquei mais de 20 minutos recirculando e mesmo assim o mosto não clareou tanto. Não tive paciência para ficar mais tempo e clarear mais.

Nessa leva estreei um segundo fogão mais baixo para a fervura, em uma altura certa para receber o mosto por gravidade e para passar o mosto para o tanque de fermentação também por gravidade. Como não fiz lavagem, não precisei de um terceiro fogão, nem de trocar panela de lugar. Perfeito! A foto abaixo mostra a transferência para a panela de fervura.

Transferência do mosto para a fervura

Usei malte pílsen, malte melanoidina belga, malte cara 50 belga, aveia em flocos e bem pouco de cevada torrada. Usei Chinook, pra amargor, a 60min, e Styrian Goldings, a 21min e 7min. A OG ficou em 1.041 e a FG em 1.011, atenuando 74% e dando 4,0% de álcool em volume. O amargor ficou em 35 IBUs, e a cor em 21 EBCs. Acho que das quatro ou cinco versões da Fornicale que eu fiz, essa foi a melhor. Além do sabor, acertei na cor, que não estava saindo como eu queria nas outras vezes.

Na fermentação, dividi a leva em três partes, fazendo dry-hopping de Styrian Goldings em uma, dry-hopping de Styrian Goldings mais Chinook em outra, e deixando a última sem dry-hopping. As três ficaram ótimas, mas para a minha surpresa, a que eu mais gostei foi a que não levou dry-hopping. O sabor do lúpulo proveniente da fervura ainda estava bem presente e sem esconder o sabor do malte. As que levaram dry-hopping estavam deliciosas mas o sabor do lúpulo muito mais aparente do que o do malte. A sem dry-hopping estava mais sutil e interessante. O que é curioso é que lembro que nas outras Fornicales, a versão sem dry-hopping ficava bastante sem graça.

Levei 7 ou 8 litros da versão com dry-hopping de Chinook e Styrian para a festa da ACervA Carioca ocorrida neste sábado, dia 28/jan/2012, comemorando o encontro marcante do embrião da ACervA, em 2006. A cerveja praticamente evaporou. Pena que só consegui servir a cerveja no final da festa e poucas pessoas provaram.

Para concluir, vamos resumir as vantagens e desvantagens que notei do método de não-lavagem.

Vantagens:

  • menos trabalho;
  • menos tempo;
  • menos uma panela;
  • menos uma boca de fogão (ou menos trocas de panelas pra aproveitar uma mesma boca de fogão);
  • mais sabor;
  • caso se deseje fazer vários patamares de temperatura, pode-se acrescentar a água quente aos poucos, evitando fogo direto e acelerando as mudanças de patamar.

Desvantagens:

  • custo maior (a eficiência é menor, o que significa usar mais malte para fazer a mesma quantidade de cerveja, ou fazer menos cerveja);
  • necessidade de uma panela maior para a brassagem (ou fazer menos cerveja);
  • recirculação menos demorada (mas mesmo assim, com a bazooka, acho que ainda fica mais rápido que com fundo falso).

Eu, particularmente, gostei muito do resultado e pretendo continuar fazendo assim.

E para os que fizerem a experiência, comentem aqui as suas impressões!